O reajuste do diesel anunciado pela Petrobras provocou uma alta média de 14,7% no preço do combustível em todo o país em apenas um mês. Os dados são do Radar de Preços do Mercado de Combustíveis, tecnologia desenvolvida pela Gestran e disponibilizada ao mercado.
A empresa acompanha a variação do diesel por estado e região. A ferramenta comparou os valores antes e depois do reajuste, com base em abastecimentos realizados entre fevereiro e março de 2026.
O grande diferencial do levantamento é que a solução monitora os preços em tempo real, a partir de dados reais coletados nos postos, permitindo análises detalhadas por estado, cidade e até por tipo de combustível.
Aumento de 15%
Na média nacional, segundo o Radar de Preços, o diesel passou de R$ 5,7467 por litro em fevereiro para R$ 6,5940 em março — um aumento de R$ 0,85 por litro.
O levantamento considerou 3,51 milhões de litros de diesel S10 registrados em 622 postos distribuídos pelo país. Os dados refletem transações reais de abastecimento, com nota fiscal vinculada, captando o impacto direto do reajuste na operação das transportadoras.
O reajuste foi sentido de forma uniforme no território nacional. Contudo, o Nordeste liderou o ranking de alta, com +15,57%, puxado por Pernambuco (+18,32%), Tocantins (+18,30%) e Bahia (+17,78%). O Norte, amortecido pelo Amapá — único estado que manteve preço estável em R$ 6,90 — registrou o menor avanço, mas ainda assim expressivo: +12,20%.
As diferenças
Nordeste: R$ 5,8467 → R$ 6,7568 (+15,57%)
Sul: R$ 5,6898 → R$ 6,5747 (+15,55%)
Centro-Oeste: R$ 6,0300 → R$ 6,9422 (+15,13%)
Sudeste: R$ 5,7603 → R$ 6,5448 (+13,62%)
Norte: R$ 5,8000 → R$ 6,5076 (+12,20%)
Paulo Raymundi, CEO da Gestran, o impacto é considerado significativo. Isso porque um caminhão semipesado com tanque de 300 litros, que abastecia por R$ 1.724,01 em fevereiro, passou a gastar R$ 1.978,20 por reabastecimento completo, em março. Uma diferença de R$ 254,19 por operação.
Raymundi explica que em frotas maiores, esse aumento ganha escala rapidamente. “Em uma frota de 20 veículos, com dois abastecimentos semanais, o impacto supera R$ 198 mil ao ano, apenas considerando o reajuste de março.
Reação das frotas
Os dados indicam que muitas empresas anteciparam o abastecimento após o anúncio do reajuste. Em São Paulo, maior mercado da base, com 363 mil litros em fevereiro, o volume caiu para 248 mil litros em março — redução de 32%. Em Minas Gerais, a queda foi de 23%, e no Pará, de 38%.
“O padrão sugere uma antecipação de abastecimentos no fim de fevereiro, antes da entrada em vigor do reajuste — comportamento típico de frotas com gestão ativa de custos”, explica Raymundi.
“O reajuste de março deixou claro que frotas sem controle estruturado de abastecimento estão expostas a dois choques simultâneos: o do preço e o da ineficiência. Quem tem dados, tem vantagem”, complementou.
Diesel aumentou 15% em apenas um mês
