Uma boa surpresa desta edição da Agrishow foi a consolidação da evolução tecnológica de máquinas, caminhões e equipamentos em geral. Essa constatação contrastou com a queda no faturamento de 22%, reduzindo de R$ 14 bilhões para R$ 11,4 bilhões.
O alívio para os expositores foi a manutenção da audiência de 197 mil visitantes. O resultado não surpreendeu os 800 expositores presentes. Além disso, dezenas deles continuaram a comemorar excelentes resultados, especialmente os ligados à agricultura de precisão e a tecnologia de ponta.
Por sua vez, os fabricantes explicaram a queda nas vendas como resultado dos juros elevados, das incertezas políticas e da escassez de crédito, mesmo com as promessas divulgadas pelo governo. Em compasso de stand by, os produtores preferiram retardar compras maiores para acompanhar os acontecimentos em ano de eleição, super El Niño e baixa cotação das commodities.
Baixas cotações
Para se ter ideia, a cotação internacional das comodities, particularmente a de grãos, o impacto foi grande. A cotação da soja caiu praticamente 50% nos últimos 12 meses, anulando o recorde de produção no campo, estimado em mais de 184 milhões de toneladas.
Para a indústria de caminhões e máquinas esse é um sinal de alerta para dificuldades para a comercialização de semirreboques graneleiros e nas linhas de máquinas no ciclo de produção, das colheitadeiras aos transbordos, no segmento de implementos.
O alívio vem da produção positiva de cana de açúcar para este ano: esperam-se 709,1 milhões de toneladas, segundo a Conab, crescimento de 5,3% e 8,5%. O milho também faz bonito, apoiado no crescimento da produção do etanol de milho, a safra de milho deve chegar a 348,4 milhões de t.
Caminhões dedicados
Embora com desfalques, o comparecimento das montadoras de caminhões contou com estandes da Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen, Ford. Montadoras que exibiram suas novidades desenvolvidas o segmento.
No estande da Mercedes-Benz estavam os novos Atego preparados para atender a demanda e “fechar” o buraco deixado pelo Axor 3131. O Atego 3133 off road com redução de cubos com opção de retarder mostra a desenvoltura do pbt de 30,5 t. Suas características o habilitam aos segmentos de betoneiras e tanques em chassis com entre-eixos de 4.800 mm.
Com entre eixos de 3.600 mm e 25 t a versão atende aos serviços de caçamba, betoneiras e boiadeiros. Com suas 63 toneladas de CMT pode atuar no transporte de madeira como romeu e julieta nos transbordos com eficiência, graças ao seu motor de 7 litros. Em breve o 3433 estará a postos com 3 t a mais por eixo, suspensão reforçada e possível freio retarder.
A VWCO mostrou o resultado de uma parceria com a Antoniosi, implementadora de Matão, SP, dedicado à colheita de cana. Outra parceria ocorreu entre a MWM e Yuchai chinesa sobre caminhão DAF para um caminhão com motor 100% a biometano.
Soluções inteligentes
Comentário geral foi a presença maciça dos chineses, entre eles BYD, Foton, Suny, XCMG, GWM entre outras. De 2025 para 2026, o número de empresas chinesas na Agrishow decolou de 18 para mais de 50 empresas. A maioria delas mostrando máquinas industriais, amarelas, para construção, mineração e agrícolas, caminhões elétricos, colheitadeiras e transbordos.
Essas soluções vêm de um conceito a muito explorado pelos produtores de tratores e da linha amarela: o de ouvir as demandas do campo para solucionar problemas da diversificação das dificuldades. Desde o primeiro trator a vapor, lançado em 1850.
A fonte de inspiração do segmento sobre o sistema de produção de caminhões atingiu também os meios de manutenção, tendo como base a Caterpillar, empresa de 130 anos de vida. Hoje, a companhia oferece de motoniveladoras com dispositivos de detecção de pessoas. Um dos grandes problemas do campo.
Inspiração
Para atender os operadores de suas máquinas espalhados em vastas áreas e em terrenos totalmente diferentes, a Cat desenvolveu o atendimento remoto em meados do século passado.
A primeira montadora no Brasil a seguir seus passos foi a Scania, ainda nos anos 70. Na Agrishow, a empresa nessa área destacou seu plano Scania Pro. Já o portfólio de produtos mostrou o RH 560 R 6×4 um caminhão a gás ou biometano que oferece um preço cada vez mais próximo ao dos veículos diesel.
“Mas sem IPVA, sem Arla e com uma economia de combustível de R$ 25 mil/ano”, lembrava Marcelo Barreto, responsável pela Engenharia de Aplicação de Veículos da Scania. Veículo desenvolvido pela engenharia nacional, o RH é só um exemplo do potencial brasileiro de desenvolvimento de soluções.
A confirmação disso estava num estande próximo, o da XMobots, que em menos de duas décadas ascendeu de uma startup da Faculdade de Engenharia da USP São Carlos à posição de sexta maior produtora de drones do mundo.
Seu estágio tecnológico é tal que produz drones de R$ 700 mil a R$ 35 milhões, este para segurança e defesa. “Nesta Agrishow estamos lançando o Spad 200 A, um sistema no qual um operador comanda dois drones”, anuncia Bruno dos Santos, executivo Comercial da XMobots. Maior área de cobertura, maior eficiência e rentabilidade. A companhia são-carlense atualmente emprega 500 funcionários, dos quais 60% são engenheiros de P&D.
IA chega às máquinas
A normalidade das tecnologias exibidas na Agrishow deste ano reuniu soluções via IA, conectividade, automação, comunicação satelital e multifunção dos equipamentos.
“Hoje, um operador de máquina já pode contar com sistemas de inteligência artificial que conversam com ele, literalmente, durante o trabalho. A IA funciona não apenas como um instrutor master, mas como um “conselheiro operacional”, diz Claudio Esteves, diretor Comercial da Valtra.
A IA permite prever e alertar desde uma anomalia mecânica futura, para proteger a máquina, até interferir na operação, orientando o operador a retornar à base para evitar uma tempestade ou outro problema qualquer que possa comprometer a disponibilidade da máquina.
Imagine a aplicação disso num caminhão e sua contribuição para o aumento da eficiência operacional. O motorista sendo informado de ocorrências na rota à frente, acidentes, situação dos pneus e da carga e as melhores alternativas para a manutenção dos tempos de viagem, consumo e alertas de atenção.
O nível de desenvolvimento e sofisticação das máquinas mostrado na Agrishow 2026 pode ser constatado pelo grau de automação dos equipamentos e fábricas. Isso mesmo, trata-se das fábricas escuras ou dark factories, com linhas de montagem totalmente automatizadas, sem intervenção humana.
Novos caminhos
A automatização e robótica por si só possibilitam a operação em eficiência 100%, impossível nas fábricas convencionais, mesmo com a instituição do funcionamento em três turnos. “A eficiência nesse nível ocorre graças a IA, que gerencia tudo. Nas 24 horas do dia, nos 7 dias da semana e nos 365 dias do ano”, comenta Anderson Vilela, gerente de Contas Rodoviário da Irmen Sany.
Desde o suprimento das autopeças, a fábrica trabalha com robôs IA, sem necessidade de iluminação, até a logística de distribuição. Resultado: erro zero, greve zero, menores custos e alta flexibilidade de produção. A indústria de caminhões está muito perto disso. Pelo menos na China, onde foi lançada a primeira instalação do tipo para automóveis.
Pelos estandes da Agrishow muitos desenvolvimentos visavam não apenas a operação, mas também dão munição ao aprimoramento das medidas de segurança, destacadamente os desvios de carga.
Segurança
Um dos exemplos mostrados estava no espaço da Toledo, tradicional fabricante de balanças pesadas, diretamente ligadas ao controle de fluxo de materiais e rastreamento e conferência da quantidade dos produtos, sejam insumos ou produtos finais.
A Toledo mostrou uma balança autônoma, que dispensa operador, energia elétrica e possibilita o monitoramento integral dos procedimentos. O desvio de cargas é um problema histórico do transporte de cargas, não apenas no campo, mas nas cidades, centros de distribuição etc.
Por si só, a balança 950i é uma garantia de alta produtividade na alimentação das plantas de processamento. O tempo de pesagem cai de 3 minutos, num equipamento com operador, para apenas 40 segundos na balança autônoma.
Totalmente antifraude a balança tem capacidade para medir o peso de composições rodoviárias mistas entre 120 t e 500 t.
Mas não só. Ela também é uma grande inibidora dos desvios. “Segundo as estatísticas, esses desvios podem alcançar entre 3 e 4 toneladas por operação”, assegura Patrick Oliveira, analista de Soluções da Toledo. Se consolidarmos o transporte e transferência de grandes massas – como no transporte de cana picada – os números se agigantam.






