Para um ano de más notícias como o de 2025, a Volvo do Brasil conseguiu resultados animadores em comparação com o mercado de caminhões em geral. E não apenas no país, mas em seus negócios globais.
“No mundo a Volvo registrou faturamento de K$ 479 bilhões de Coroas (cerca de US$ 54 bilhões), reflexo da queda de 5% nas entregas, em parte aliviados pelo crescimento de 2% nos serviços”, relata Wilson Lirmann, presidente do grupo Volvo América Latina.
Mas não foram apenas más notícias. O ano também levou ao recorde de 1 milhão de veículos conectados em todo mundo. Os investimentos não pararam para viabilizar desenvolvimento em tecnologia de segurança.
Destaque nesse sentido foi o desempenho da Volvo nos protocolos de informação Euro NCap na Europa. Por aqui, graças aos seus sete pacotes de segurança, que cobrem agora toda a linha de veículos comerciais da marca a situação é igualmente sustentável. “Temos que nos destacar nesta área, sempre. Coisa que sempre fizemos”, observa Lirmann.
No Brasil já está em andamento o suporte total ao estabelecimento da ISO 39000, que trata das normas para garantir a segurança no trânsito. “Estamos em andamento com os testes em 20 empresas, envolvendo 12 mil caminhões conectados”, disse o executivo. O resultado parcial é admirável. Nada menos que 67% na queda de acidentes. Algo muito significativo, sob todos os aspectos.
Investimento recorde
No mercado latinoamericano de caminhões pesados, que se resumiu a 25.665 unidades, a queda atingiu 6% entre 24/25, mas a Volvo liderou esse mercado com 23% das vendas no Brasil, 21% no Peru e 19% no Chile. Novas esperanças para este ano são a retomada no mercado argentino, que comercializou 1.500 unidades o ano passado; e o início das exportações para o México onde estará disponível também os caminhões da linha VM.
Apesar de todas as dificuldades desse período, Lirmann anunciou investimento de R$ 2,5 bilhões no Brasil no triênio 26/28, maior aporte já feito desde a estreia da marca no país em 1979. Os investimentos contemplarão todo o ciclo de produção, vendas, serviços e financeiros.
Outra expectativa é a de queda nos juros, cujo desfecho tem se arrastado através dos anos. “Os juros altos encarecem o crédito e desestimulam as compras e a renovação das frotas. É um fator crucial que está freando o crescimento das empresas de transporte, inclusive reduzindo a sua competitividade”, declara Wilson Lirmann.
Liderança firme
A conclusão do ciclo de investimentos de cinco anos levou ao desenvolvimento da I-Shift de 7ª geração. A Volvo já pensa nos veículos elétricos para Chile, México e Peru, que já oferecem infraestrutura de suporte para esse tipo de veículo.
O ciclo 20/25, porém, foi muito produtivo. Um exemplo foram os crescimentos de 120% no segmento de serviço e 41% nas vendas. Recordes aconteceram em 22/23/24. Ao todo 500 mil unidades foram entregues pela empresa.
A queda nas vendas foi lamentada, mas em relação à participação de mercado a Volvo fez bonito. Encerrou o ano na liderança em caminhões acima das 16 toneladas, com 20.053 caminhões licenciados no Brasil, o que representa 23% de market share – números absolutos Fenabrave, considerando apenas o emplacamento de veículos novos.
O desempenho da empresa foi comemorado pelas dificuldades neutralizadas. Os volumes do Volvo FH 540, por exemplo, foram excepcionais. Foi o caminhão pesado mais vendido do Brasil pelo sétimo ano consecutivo, com 5.403 emplacamentos em 2025. E na vice-liderança do segmento apareceu outro modelo Volvo, o FH 460, com 3.613 emplacamentos.
Tecnologia de ponta
Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões (foto), explica: “São caminhões com alta tecnologia, muito robustos e com grande eficiência. Eles se destacam ainda pela elevada disponibilidade, baixo consumo de combustível e por um conjunto de soluções que incluem alta conectividade, inteligência artificial e segurança única. Tudo isso se traduz em maior produtividade e menor custo operacional para os transportadores”.
Resultado: Num mercado que caiu 11% nas vendas a Volvo manteve a liderança nos pesados com 31%. Entre os três mais vendidos, a marca emplacou além do FH 540, o FH 460 e o semipesado VM 290.
Cavalcanti destaca na linha 2026 o I-Torque, que, com o uso de IA promete uma economia suplementar de 3%. Outras melhorias consideráveis veem no Volvo Connect com a Safety Zone e, no VMX, um ganho de 8% com a introdução do retarder no modelo.
Neste último os resultados são tão bons que a opção pelo retarder já representa 25% das vendas. Alcides acrescenta que é um diferencial e tanto em certos serviços. “Conseguimos uma participação de 50% no segmento de betoneiras”.
Esperanças e desafios
Wilson Lirmann, o presidente do grupo Volvo no continente, revela alguma preocupação com as dificuldades enfrentadas por segmentos chave para a indústria de caminhão. “A rentabilidade do agronegócio está pressionada pelo dólar, o que lhe retira margem de rentabilidade.
Além disso, entramos em ano eleitoral, que por si só é outra complexidade”, diz ele. Lirmann também lembra que a proporção dívida/pib chegou perigosamente aos 84 %.
Juntando a essa receita a taxa de juros, o pé atras dos grandes empresários que se colocaram em stand-by à espera de juros mais em conta, como prometido, as vendas devem continuar retraídas este ano. “Por isso estimamos que os emplacamentos devem registrar outra baixa, entre 5 e 10%”.





